Petisco contínuo compromete cirurgia de redução do estômago

Estudar a falta de controlo alimentar de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica valeu um prémio a investigadora da Universidade do Minho. 

Isabel Paulo

15 de Novembro de 2014

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A investigadora Eva Conceição concluiu que cerca de 40% dos pacientes obesos que reduziram o estômago voltam a ganhar peso alguns anos após a cirurgia devido ao hábito do petisco contínuo, na maioria dos casos adquirido pós-intervenção / DR

Eva Conceição, da Escola de Psicologia da Universidade do Minho (UM), venceu o "Prémio de Jovem Investigadora", atribuído nos EUA pela Eating Disorders Reasearch Society.

 

O trabalho sobre a perda de peso após cirurgia bariátrica e posterior aumento devido a falta de controlo alimentar foi apresentado por Eva Conceição num seminário internacional, em San Diego, no final de outubro, investigação agora reconhecida com um prémio monetário e mérito.

A psicóloga clínica de 32 anos, natural de Aveiro e investigadora do grupo de estudos das Perturnações Alimentares da UM, concluiu que cerca de 40% dos pacientes obesos sujeitos a cirurgia para reduzir o estômago (cirurgia bariátrica) voltam a ganhar peso alguns anos após a intervenção devido ao hábito do petisco contínuo, na maioria dos casos adquirido pós-cirurgia.

"Os resultados mostram que há uma perda significativa de peso no pós-operatório, da ordem dos 30 a 80% do peso excessivo, mas que um ano ou dois depois é readquirido por desajustamento de hábitos alimentares, principalmente fora de horas das refeições programadas", refere Eva.

Uma das tendências identificadas pela psicóloga clínica ao longo dos quase quatro anos de acompanhamento longitudinal de 120 pacientes dos hospitais de Braga e de São João, no Porto, foi a ingestão compulsiva de petiscos fora das horas de refeição, "hábito que em alguns casos só surgiu após a cirurgia bariátrica".

"Após uma fase de melhoria de hábitos alimentares, algumas pessoas retomam ou adquirem algumas compulsões alimentares, como o petisco contínuo, levando ao insucesso das intervenções cirúrgicas, o que obriga em certos casos a uma segunda operação", conta Eva Conceição, cocoordenadora do Núcleo de Psicologia e Cirurgia da Obesidade e vice-presidente do Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar.

Para evitar recaídas, é aconselhado aos pacientes recorrerem a ajuda especializada em distúbios cognitivo-comportamentais ou a um nutricionista, "sob pena de comprometerem a redução ao estômago", sublinha a autora do estudo intitulado "Loss of control eating and picking or nibbing after bariatric surgery", sob orientação dos docentes Paulo Machado, da Universidade do Minho, e James E. Mitchell, da Universidade de Dakota do Norte. 



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