Obesos esperam mais de 2 anos por cirurgia

Por Sónia Trigueirão e Bernardo Esteves

A Direção-Geral da Saúde divulgou os 21 centros de tratamento cirúrgico de obesidade do País, tendo-se verificado uma redução substancial do número de unidades desde o arranque do programa, em 2010.

"Há menos hospitais de referência a fazer a cirurgia. No início do programa eram 19 hospitais públicos e 24 privados que estavam referenciados para a cirurgia de obesidade", disse Carlos Oliveira , da Adexo - Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal. Por outro lado, os tempos médios de espera para cirurgia continuam a aumentar.

A situação mais complicada ocorre no Hospital do Espírito Santo, em Évora, onde os doentes esperam 940 dias, mais de dois anos e meio, para serem operados. Isto quando, por lei, o tempo máximo de espera não deveria ultrapassar os 270 dias para doentes sem prioridade e com doença não oncológica. Há mais seis unidades de saúde onde a lei não é cumprida.

 
A espera chega aos 494 dias no Hospital de Santo António, no Porto. E atinge os 450 dias em três unidades do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Hospital de S. Sebastião, na Feira; Hospital Distrital de S. João da Madeira; e Hospital de São Miguel).
O aumento dos tempos de espera ocorre num contexto em que "o problema da obesidade está a agravar-se", nota a médica endocrinologista Paula Freitas. "A prevalência da obesidade e da pré-obesidade na população portuguesa era de 49,6% em 1998, subiu para 53,6% em 2005, e para 57,1% em 2016", afirma a médica e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

Ou seja, quase 60 por cento da população portuguesa, cerca de seis milhões de pessoas, têm problemas de obesidade. Paula Freitas aponta soluções: "Já há muito hospitais, como o de São João, no Porto, a trabalhar com os cuidados primários e é preciso continuar. Reduzir os níveis de obesidade reduz a hipertensão e a diabetes e diminui os gastos com medicamentos."
12 Milhões de Euros e nada Mudou
Carlos Oliveira, da Adexo - Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal, lembrou que o Ministério da Saúde, em outubro de 2016, anunciou que ia disponibilizar 12 milhões de euros para um programa para reduzir as listas de espera da cirurgia da obesidade, mas nada mudou.
Vice Campeões em Obesidade Infantil
O Conselho Nacional das Associações de Professores e de Profissionais de Educação Física (CNAPEF) alertou esta segunda-feira para o facto de muitos alunos do 1º ciclo não fazerem aulas de Educação Física, apesar de Portugal ser vice-campeão europeu da obesidade infantil. "Gostávamos que a Educação Física fosse uma realidade no 1º ciclo, mas temos sérias dúvidas que esteja a ser lecionada", lamentou Nuno Fialho, vice-presidente do CNAPEF.
Segundo o responsável, no 1º ciclo são os professores titulares que dão as aulas de Educação Física, mas nem todos se sentem capacitados para o fazer. "A formação inicial dos professores é muito generalista e, por isso, muitos não se sentem à vontade", lamentou Nuno Fialho, sublinhando que os alunos do secundário também fazem menos desporto, desde que a disciplina de Educação Física deixou de contar para a média de acesso ao ensino superior.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
– Com que idade se pode fazer a cirurgia de obesidade?
– Em Portugal, tem de se ter entre 18 e 65 anos para se ser submetido à operação.

-Que outros critérios é preciso cumprir?
– São candidatas as pessoas com um índice de massa corporal superior a 40 kg por metro quadrado e que durante um ano tenham feito outros tratamentos sem sucesso.

– Depois da operação, o que é preciso fazer?
– O doente tem de mudar o seu estilo de vida para todo o sempre, comprometendo-se a alterar hábitos alimentares e a praticar exercício físico.

– Como pode ser prevenida a obesidade?
– Com uma alimentação saudável e a prática de exercício físico.

"Cirurgia é para uma minoria"
CM Há mais doentes à espera de cirurgia para tratar a obesidade. Há uma regressão no combate à doença?
Paula Freitas da Soc. Portuguesa para o Estudo da Obesidade – Quando se fala da cirurgia só estamos a olhar para os casos mais graves. É uma minoria. A cirurgia não é a única solução, embora possa ser a mais eficaz.

–É preciso prevenir?
– Sim. Precisamos de programas de interação com os cuidados primários e de investir no tratamento farmacológico. Hoje, os medicamentos não são comparticipados. Temos de educar para a saúde: alimentação correta e exercício.

Suplementos Dedicados

 A Cirurgia Bariátrica

Barovit

Hospitais Públicos e Privados

Acreditados como Centros de Tratamento

 

Hospital Lusiadas Hospital São João

 

DGS Lista Actualizada em 14 de Fevereiro de 2018

 

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