Adexo Participa na Convenção Nacional de Saúde

  • Dia 18 de Junho de 2019 – 14:45h
  • Moderação de Júlio Magalhães
  • 10 Minutos

Convenção Nacional de Saúde

O Sistema de Saúde para o Cidadão

 

Colocar o cidadão no centro do sistema de saúde, não pode ser uma expressão desprovida de sentido prático. Implica de imediato o reconhecimento da participação activa das organizações representativas na tomada de decisões sobre as políticas nacionais de saúde.

As Associações de doentes, enquanto grupos de pressão dispondo de parcos recursos (com mais ou menos capacitação, com mais ou menos literacia), há muito tempo que se constituíram como uma mais-valia para o SNS, garantindo um inestimável valor acrescentado que nem sempre é oficialmente reconhecido.

Falar do sistema de saúde para o cidadão é percorrer transversalmente as temáticas de todas as sessões paralelas constantes no programa desta conferência, demonstrar a importância das Associações de doentes, o serviço de atendimento normal e de urgência mais eficientes e menos morosos, o acesso ao SNS em igualdade de circunstâncias em todo o território nacional, a valorização e o apoio inequívoco aos cuidadores informais e um estatuto para o doente crónico que corrija as actuais assimetrias entre os apoios dispensados às diferentes doenças crónicas, pois, enquanto umas usufruem de apoios considerados satisfatórios, outras estão completamente votadas ao ostracismo. Devem pois ser dadas todas as garantias de um apoio de base idêntico para todas as associações, considerando ainda as necessidades específicas de cada uma.

 

O registo informático do doente, com controle de cedência de dados efectuado pelo próprio, é fundamental, quer para garantia de eficiência nos tratamentos prescritos por diferentes profissionais de saúde, quer para garantir estatisticamente uma eficácia de análise de tipo de doente por forma a prescrever, entre a panóplia de medicamentos existentes para a mesma doença, aquele que é mais eficaz para o tipo de doente em causa.

É inexplicável que o SNS, detendo uma enorme quantidade de dados de todos os doentes, evidencie tanta falta de conhecimento sobre eles. Como é obvio, não me refiro a um determinado centro de saúde nem a um determinado médico. Permitam-me um exemplo: Se eu estiver no Algarve e necessitar de uma ida às urgências, terei de contar toda a minha história clínica, com as falhas e omissões que normalmente ocorrem em situações de stress, sem contar com o tempo reduzido que o médico tem para me escutar. (Todos sabemos que um construtor de automóveis, por exemplo a Ford nos Estados Unidos ou a Mercedes na Alemanha sabem tudo o que se passa com os seus veículos no mundo inteiro, as vibrações dos motores, o deficiente desempenho duma válvula etc., etc.).

 

É fundamental que o registo de cada doente possa ser consultado em qualquer hospital, seja público ou privado, centro de saúde em qualquer ponto do território nacional (… e porque não europeu?!…) ou se desenvolva e consolide em torno dum sistema já existente, designadamente o registo clínico efectuado pelo médico de medicina geral e familiar. Esta medida vai comportar benefícios para o doente, aumentar a eficácia dos tratamentos e diminuir os custos que são muito elevados, com base na ausência de informação partilhada, vigente no SNS.

As associações de doentes, pelo seu lado, já perceberam que trabalhando em conjunto conseguem chegar a resultados mais satisfatórios. Foi este entendimento que levou à fundação da FENDOC- Federação Nacional das Associações de Doenças Crónicas, que actualmente reúne 14 associações que estão a desenvolver no Estatuto do Doente Crónico, prevendo-se a apresentação do seu primeiro documento de trabalho até outubro deste ano.

Estamos também a convidar outras associações a integrarem a federação e o HOOPE – Portal das Associações de Doentes, criado por 28 associações cujos objectivos são os seguintes:

  • Facilitar aos doentes encontrar a associação mais próxima de si ou que lhes proporcione o serviço que necessitem;
  • Facilitar ao doente a ligação directa ao local do SNS que precisam;
  • Facilitar ao médico, no momento em que obrigatoriamente tem que dar uma notícia difícil ao doente, poder imprimir uma folha onde constam os contactos de todas as instituições que o podem ajudar a combater a doença.

O portal HOOPE conta já 35 associações, é gratuito e pode ser encontrado em www.hoope.pt. Convido todas as associações a inscreverem-se e a disponibilizarem os seus contactos, localização bem como os serviços que disponibilizam.

O Portal HOOPE é uma mais valia para todos vós.

As associações estão disponíveis para trabalhar com o Governo, mas alertamos desde já que os grupos de trabalho não devem recorrer apenas aos Ministérios da Saúde, do Trabalho, da Educação e da Segurança social. Todos sabemos que muito do que é acordado nestes grupos acaba por convergir e ser bloqueado no Ministério das Finanças.

E, perdoem-me a frontalidade mas, os órgãos decisores deste Ministério, ignoram os processos de economia de escala aplicáveis, originados num investimento inicial que permita poupar com sucesso a médio prazo sem comprometer os objectivos e os benefícios reais para os doentes.

Era importante CAPACITAREM os decisores do Ministério das Finanças para a percepção de dois factos fundamentais:

  • Primeiro, a Saúde não pode NUNCA contar com programas para uma legislatura e, a história fará justiça, nomeando e condenando os responsáveis pelas medidas que têm sido tomadas desta forma e que têm sido muitas;
  • Segundo, há medidas que obrigam a um investimento inicial que, a 5 ou 6 anos se pagam poupando, muitos milhões ao SNS.

É, pois, necessário que o Ministério das Finanças tenha intervenção directa nestes grupos de trabalho para entender as razões das propostas e não para as bloquear apenas pelos números em questão.

É também muito importante que se percebam quais são os resultados da aplicação dum tratamento específico e saber o que de facto resulta, ou seja, se numa determinada doença o essencial é o “Não ter dores” é o “Dormir bem” é o “Conseguir respirar sem esforço” etc. e se existem 10 ou mais medicamentos ou tratamentos mas só 2 ou 3 é que garantem estes resultados para o doente, deve incidir apenas sobre estes medicamentos o esforço de comparticipação pois são estes que actuam com sucesso no tratamento e na qualidade de vida do doente.

É assim necessária uma acção concertada em que todas estas entidades em colaboração estreita com as associações participem activamente na resolução por forma a que o processo de decisão evolua para um modelo de financiamento baseado na obtenção de resultados positivos para o doente.

Para terminar, contem com as associações de doentes como parceiros, nós contaremos com o vosso esforço para se conseguir melhorar as condições  nacionais de acesso, tratamento, suporte efectivo aos cuidadores, apoio aos diferentes níveis das doenças crónicas sejam elas raras ou não, e medidas com o alcance e objectivos a cinco, dez ou quinze anos que não possam ser alteradas sempre que muda um governo ou sempre que muda um ministro.

 

Carlos Oliveira

Presidente da Direcção

Suplementos Dedicados

 A Cirurgia Bariátrica

Barovit

Hospitais Públicos e Privados

Hospitais acreditados como Centros de Tratamento

 

Hospital Lusiadas Hospital São João

 

DGS Lista Actualizada

 

Roda das Calorias